24 de abril de 2008

Informativo sobre o Projeto Gadonça - Dora e seu filhote

Mais um ciclo completo no Pantanal.

Foram inúmeras as oportunidades que turistas brasileiros e estrangeiros tiverem em presenciar, em visita há alguns meses atrás, o comportamento reprodutivo de onças-pintadas de vida livre, aqui na Fazenda San Francisco, no Pantanal do Miranda, MS. Machos e fêmeas observados juntos e de perto, interagindo entre si; tudo através das atividades de ecoturismo realizadas na propriedade. Estes indivíduos são alguns animais residentes do local e outros animais novos ou de passagem, porém todos com o mesmo intuito: encontrar um parceiro ou parceira para dar continuidade no ciclo da vida.

Uma das integrantes desta luta é uma velha conhecida nossa – Dora, uma fêmea de onça-pintada de 7- 8 anos, no auge de sua vida para um animal que pode viver por 13 anos na Natureza. Conhecida de fato, pois desde 2003 a Fazenda San Francisco apóia um projeto de conservação, monitoramento e pesquisa de onça-pintada e onça-parda na região – o Projeto Gadonça.

Este projeto científico de caráter ambiental, conservacionista e educacional, têm como objetivo principal o estudo da interação entre grandes predadores carnívoros silvestres e animais domésticos na região do Pantanal. E é Dora, uma das onças acompanhadas pelo Projeto, o principal destaque do início desse ano.

É ela que nos traz, ou melhor, nos deu a oportunidade de observar, no dia 11 de fevereiro, sua primeira conquista de 2008 – um filhote com provavelmente dois meses de vida. Após uma gestação de 100 a 105 dias, e de demorar uma semana para abrir os olhos, este filhote já está seguindo os passos da mãe, embora apresente certa dificuldade e atropelos característicos de qualquer animal pequeno, pois ainda depende fragilmente dos cuidados de Dora. O

utra vez fora observado algumas semanas depois em um comportamento mais ativo, “brincando” curiosamente com os restos de uma capivara, recém abatida e consumida por sua mãe. Um “objeto” ainda um tanto curioso para um animal que depende exclusivamente do leite materno até uns dois meses e meio de idade.

Até os cinco meses mais ou menos, quando se tornará independente do leite da mãe, ele terá conquistado algumas lições de vida, estará ciente que a princípio, aquele objeto não é só para brincadeira e faz parte da peça mais importante à sua vida, mas mesmo assim, falta muito das técnicas para se tornar um grande predador no Pantanal. Durante um ano inteiro, o filhote necessita instintivamente da companhia da mãe para sua sobrevivência e aprendizado; para que dessa forma, a partir desse período, ele possa dispersar e conquistar seu próprio território.

Não sabemos ainda se é macho ou fêmea, na verdade não faz diferença alguma, o que importa é que cresça protegido, como cresceram suas gerações no mesmo local, com a Natureza regendo suas leis e livres dos conflitos humanos que levam à morte desses animais. Acontecimentos como estes estão cada vez mais raros, e serve para abrir nossos olhos em relação ao respeito com o meio-ambiente, além de nos fazer entender a importância de se conservar uma espécie chave como a onça-pintada.

Ricardo Luís da Costa
Biólogo Projeto Gadonça.

Um comentário:

Gárgula disse...

Acabei de assitir na National geographic o programa sobre o projeto Gadonça, do Fernando Azevedo e fiz um artigo no meu blog sobre este escelente projeto!

Parabéns!

Meu blog é http://mausoleudogargula.blogspot.com/

Abraços!