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14 de outubro de 2010

[Pantanal Sul MS | Brasil] Pantanal terá índice de sustentabilidade




Programa, que estará disponível na internet em novembro, pode ser primeiro passo para criar selo ambiental


GIULIANA MIRANDA DE SÃO PAULO


Com cerca de 90% de seu território dividido em fazendas, o Pantanal acaba de ganhar uma ferramenta para avaliar a sustentabilidade dessas propriedades.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Pantanal, após oito anos de estudo, desenvolveu um software que mede o desempenho das fazendas em três frentes: ambiental, econômica e social.

O programa -que será lançado em novembro no Simpan (Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal)- junta essas informações e chega a uma nota que diz se a fazenda é ou não sustentável.

"O Pantanal tem características muito particulares, que fazem com que os conceitos aplicados em outros ecossistemas não sirvam como parâmetro", afirma Walfrido Tomás, responsável pelos indicadores ambientais.





Segundo a Embrapa, a inclusão dos fazendeiros no processo de conservação é essencial, porque a maior parte das terras pantaneiras não pertencem ao Estado, diferentemente de outros ecossistemas, como a Amazônia.

A ideia do projeto é, em breve, funcionar como subsídio para avaliações mais profundas, como as feitas por certificadoras ambientais, que conferem selos à produção sustentável.

Após o lançamento, o programa será distribuído para alguns produtores e também estará disponível na internet gratuitamente.

"O software auxilia a tomada de decisões e mostra de forma detalhada praticamente todos os aspectos da fazenda. Fica mais fácil saber o que está dando certo e o que está indo mal", disse o coordenador da parte econômica, Urbano de Abreu.





Os pesquisadores tentaram simplificar ao máximo o preenchimento dos dados, mas, em alguns casos, o produtor pode precisar do auxílio de um especialista, como um técnico agrícola.

A Embrapa afirma que vai investir em cursos de capacitação para os produtores e seus funcionários. O objetivo, de acordo com o órgão, é que a avaliação seja cada vez mais simples para o fazendeiro. Quase intuitiva.




INDICADORES

"Como a diversidade biológica é imensa e a gente não consegue medir tudo, nós usamos indicadores que são capazes de mostrar todo o contexto da fazenda", afirma Walfrido Tomás.

De acordo com os pesquisadores, o mesmo conceito também foi usado para chegar ao indicadores econômicos e sociais.

"Nós fomos às fazendas, entrevistamos patrões e funcionários e ouvimos o que eles tinham a dizer. A opinião do pantaneiro, seu modo de vida, conta muito", disse Sandra Santos, coordenadora dos indicadores sociais.

Segundo ela, a qualidade de vida dos funcionários da fazenda depende diretamente do que é fornecido pelos patrões. Por isso, acesso à água e transporte, por exemplo, tem grande peso na hora da avaliação.

"Carteira assinada, por outro lado, é uma obrigação. O produtor que tem não ganha pontos, mas o que não tem é duramente penalizado."

A plataforma foi pensada para levar em consideração a imprevisibilidade do ambiente e também a interação entre os indicadores.

"Não adianta ir bem só em um aspecto. Para receber o grau de sustentabilidade, é preciso estar bem em todos os índices", afirma o pesquisador Urbano de Abreu.


Ferramenta pode ter várias aplicações DE SÃO PAULO

Além de orientar os fazendeiros, os pesquisadores esperam que o software sirva como subsídio para a criação de políticas públicas para a região.

O resultado das avaliações das fazendas, segundo eles, poderia servir como indicador do que está funcionando e do que precisaria ser modificado no Pantanal.

"Se várias fazendas forem mal em um quesito como, por exemplo, acesso à educação, é sinal de que é preciso uma ação específica para esse ponto", afirmou Sandra Santos, pesquisadora da Embrapa.

O bom desempenho das fazendas na avaliação de sustentabilidade também poderia ser considerado na hora de conceder facilidades de crédito aos proprietários rurais.

"O produtor que é sustentável merece reconhecimento. No Pantanal, é impossível falar em conservação sem incluir os fazendeiros na discussão", disse Santos, responsável pelos indicadores sociais do projeto.

Embora não exista compromisso concreto para esses usos da plataforma, os pesquisadores da Embrapa se dizem bastante confiantes em relação à aceitação e à difusão do uso do programa. (GM)



Pecuária é a principal vocação da região, dizem pesquisadores
Adriano Vizoni/Folhapress
Bois em Corumbá (MS), que tem o maior rebanho do Brasil


DE SÃO PAULO Por suas extensas áreas de cerrado, com abundância de vários tipos de vegetação forrageira, o Pantanal é ideal para a pecuária extensiva -aquela com o gado criado solto na fazenda-, dizem os cientistas da Embrapa.

"Ao contrário de outras regiões, não é preciso derrubar árvores para colocar pastagens no lugar", afirma Walfrido Tomás, especialista na biodiversidade pantaneira.

Segundo ele, apesar da vocação natural, são necessários alguns cuidados para garantir que a atividade não interfira na natureza.

Para ele, o novo software da Embrapa ajudará os fazendeiros a racionalizar o uso
dos recursos naturais.

"Nossa maior preocupação é que as fazendas desenvolvam suas atividades mantendo a diversidade biológica e as funções do ecossistemas", afirmou.

Também pesquisador da Embrapa, Urbano de Abreu ressalta que algumas fazendas, sobretudo por conta do tamanho, podem não ser indicadas para a pecuária.

"O software reúne as características econômicas e ambientais da fazenda, o que vai ajudar o produtor a ver se a sua fazenda é ideal para pecuária", afirma. (GM)

[Pantanal Sul MS | Brasil] Pantanal terá índice de sustentabilidade

28 de março de 2009

Imasul e Embrapa Pantanal analisam dispersão do mexilhão-dourado no Estado

Por Fabio Pellegrini, do Notícias MS

Equipe técnica da Gerência de Recursos Pesqueiros e Fauna (GRPF) do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em conjunto com cientistas da Embrapa Pantanal, vem pesquisando e monitorando a dispersão do mexilhão-dourado, uma praga que chegou ao Pantanal através de embarcações intercontinentais e corre o risco de se alastrar pelo biomas brasileiros, prejudicando a economia da pesca e do turismo.



O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) é um molusco de água doce, nativo dos rios Sudeste da Ásia, em especial da China. Com grande força reprodutiva e sem inimigos naturais no Brasil, ele foi trazido há mais de 15 anos para a América do Sul, na água de lastro de navios cargueiros, e já provoca graves danos ambientais e econômicos em nossos rios e lagos, inclusive em Mato Grosso do Sul.



O que torna o mexilhão dourado uma espécie invasora tão perigosa é a grande força reprodutiva e o fato de não encontrar inimigos naturais. Ele não serve para a alimentação humana, ocupa o lugar de espécies nativas e afeta todo o ecossistema invadido.



A Gerência de Recursos Pesqueiros e Fauna do Imasul, em seu trabalho de monitoramento da piracema no rio Miranda, já havia constatado a presença do molusco em galhos, pedras e no estômago de algumas espécies de peixes na região do Passo do Lontra (município de Corumbá) e do Barranco Branco (município de Miranda).



O grupo então resolveu atuar em parceria com a Embrapa Pantanal no monitoramento da dispersão do mexilhão dourado mapeando as áreas de ocorrência. Desta forma, foram encontrados no Rio Miranda indivíduos adultos de mexilhão dourado aderidos em pedras, galhos e no estômago de peixes das espécies pacu e armao até a região da Baía da Pedras, próximo ao Barranco Branco.



Atenção pescadores



Além do prejuízo ambiental, o mexilhão traz perdas para as atividades econômicas que dependem de recursos hídricos, como geração de energia, tratamento de água e até a pesca, porque é capaz de entupir motores de embarcações, encanamentos, sistemas de irrigação, sistemas de resfriamento de indústrias e hidrelétricas, além de afundar tanques-rede e bóias sinalizadoras de navegação. Pode, ainda, vir a prejudicar o turismo, caso se fixe em áreas aproveitadas para tal atividade.



O mexilhão não nada, por isso depende da ajuda humana para se disseminar. O molusco pode ser transportado nos cascos de barcos, depósitos de água para limpeza das embarcações, viveiros de iscas vivas, raízes de plantas aquáticas e equipamentos de pesca.




Assim, conforme os barcos viajam, levam juntos mexilhões adultos incrustados em equipamentos ou suas larvas imperceptíveis na água utilizada dentro do barco. Logo, entre outras providências, as ações de controle do molusco terão, necessariamente, de sensibilizar o público que transita pelos rios da região, a fim de que adote medidas para evitar o transporte involuntário do animal.



A pesquisadora Marcia Divina de Oliveira, da Embrapa Pantanal, explica, que no Pantanal, as condições ambientais são favoráveis ao invasor: “Na sub bacia hidrográfica do rio Miranda, o mexilhão se desenvolve muito bem, pois são águas calcárias. No rio Salobra por exemplo, afluente do Miranda na região da Serra da Bodoquena, com água transparente, a condição é perfeita para a ploriferação da espécie invasora”.



Márcia explica que a parceria com o Imasul visa o desenvolvimento de uma pesquisa conjunta que fará um inventario da fauna aquática e analisar as espécies nativas e invasoras e a qualidade da água das sub bacias, para tentar avaliar o impacto ambiental do mexilhão-dourado.



“Enquanto as pesquisas vão sendo realizadas, os pescadores devem fazer a sua parte no combate ao invasor”, explica Selene Albuquerque, pesquisadora do Imasul. Ela ressalta que os mexilhões-dourados começam a se reproduzir com apenas meio centímetro de tamanho, por isso, não percebemos a presença deles.



Confira o que deve ser feito no combate a essa praga:



Retirar qualquer vegetação e incrustação encontradas dentro e fora do barco ou do reboque;


Lavar o casco, viveiros e outras partes do barco e do reboque com água sanitária, sempre que sair de um local de pesca para outro. Deve-se colocar uma colher de sopa para cada litro de água, ou um litro de água sanitária para vinte de água;


Esvaziar, sempre em terra, qualquer reservatório de água que esteja no barco, inclusive os de iscas vivas;


Lavar os equipamentos e redes antes de usá-los em outros rios e lagos;


Não deixar a água utilizada na lavagem dos barcos e equipamentos escorrer para galerias de drenagem ou outros rios e lagos;


Não devolver para o rio nenhum resíduo de limpeza do barco. Colocá-los sempre em terra, distante da margem;


Pintar o casco com tinta antiincrustante que não tenha a substância TBT, que é cancerígena;


Verificar sempre se há presença de inscrustações no barco e raspá-las quando encontrá-las;


Tratar com cloro as águas usadas para limpeza e consumo a bordo.




Para saber mais, acesse http://www.imasul.ms.gov.br