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7 de novembro de 2011

[Pousada no Pantanal MS | Brasil] Reportagem desvenda o Pantanal, coração da vida selvagem


Chegar à fazenda Nhumirim, da Embrapa, em Nhecolândia, é mais que uma aventura

A curicaca, com seu bico enorme, abre o emaranhado de sons às 4h30. Depois vem o belo canto do tordinho, o grito melodioso da aranacuã, ouvem-se araras, bem-te-vis e pássaros de gorjeios lindos e engraçados. De repente, a cantoria torna-se frenética. Aves, em pequenos bandos, cortam o céu em direção ao lugar onde costumam achar alimento.

Assim começa o dia na fazenda Nhumirim, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) na subdivisão de Nhecolândia, Pantanal Sul. A Nhumirim, onde pesquisadores realizam trabalho de campo, dista 150 quilômetros de Corumbá (MS). Mas para chegar lá, mesmo na época da seca, é uma grande aventura. Percorre-se pelo menos 20 quilômetros a mais, em busca de caminhos mais suaves.

Num utilitário tração nas quatro rodas, o único que vence o denso areal, após 40 pontes de madeira, 14 porteiras e cinco horas de viagem, chega-se ao destino.
Na época das águas, que está começando agora, a viagem torna-se uma epopeia. Em pelo menos 100 dos 150 km o deslocamento é feito em barco, usando a estrada como canal de navegação. Concluída em trator, só depois de onze horas é possível chegar.

Isso sem falar na viagem Ribeirão-Corumbá, que tem início às 6h30 no aeroporto Leite Lopes, passa por Campinas (espera de uma hora e meia), por Campo Grande (três horas de espera) para chegar às 14h30 em Corumbá - uma hora a menos que Brasília.

A fazenda

A manhã em Nhumirim tem café, leite e roscas feitas na fazenda mesmo a partir das 6h. Pesquisadores, bolsistas e estudantes residentes em Corumbá, que viajam semanalmente, costumam trazer pão e frutas para compor o cardápio.

Às 7h, todos saem para o trabalho. O termômetro geralmente já marca 26 graus e o indicado é permanecer na lida até as 11h. O recomeço é às 13h30 e o dia se estende até as 17h.
O fuso de Nhumirim é de duas horas a menos que Brasília. Dizem que seria inútil adiantar o relógio. A fauna pantaneira, bois, cavalos, ovelhas e búfalos não iriam entender. Mas é estranho, às 18h30, ainda com uma bela réstia de sol, ver William Bonner abrir o Jornal Nacional.

Para chegar a Nhumirim, saindo de Corumbá, corta-se a bela serra do Urucum, lentamente dilapidada pela mão do homem. A Vale extrai ferro e manganês de suas entranhas. Em seguida, numa balsa, no Porto da Manga, atravessa-se os 300 metros do rio Paraguai. A energia elétrica termina ali, restando ainda 130 quilômetros para botar os pés no posto avançado da Embrapa.


A fauna

As três chuvas que caíram no final de outubro, trouxeram a fauna de volta aos rios e lagoas, avisa o nosso motorista Ayrton Araújo, nascido e criado em Corumbá. Avistamos dois jacarés tomando sol e o repórter-fotográfico Weber Sian se agita. Mas o motorista passa reto para desespero de Sian. "Calma. Vamos ver muito jacaré", diz Ayrton. Então, cruzamos com dezenas deles. No caminho, havia jaburus, gaivotas, cegonhas, gaviões, araras, maritacas, tucanos, garças e pato selvagem.

E mais: capivara, lobinho, porco-monteiro, veado-campeiro, quati e uma jovem e enorme sucuri tentando cruzar a estrada. Só faltou a onça.

Nhumirim

A Nhumirim, com seus 4.300 hectares, é um pequeno sítio para os padrões das fazendas pantaneiras. A vizinha Campo Doria tem 40 mil hectares. O tamanho médio das fazendas no Pantanal é de dez mil hectares, diz Cleomar Berselli, 27 anos, gaúcho de São Valentim e gerente da Nhumirim.

Ali trabalham e moram 13 pessoas. O gerador consome três mil litros de diesel/mês, apesar da economia de guerra para não aumentar os gastos e nem poluir o local. Só tem energia das 10h às 13h e das 17h às 22h. Um homem em Nhumirim, à noite, sem uma boa lanterna, não é nada.

O almoço - arroz, feijão, macarrão, uma carne e rúcula - é servido das 11h às 12h. O jantar, com o mesmo cardápio, vai das 18h às 19h. O que não falta na fazenda é café na garrafa térmica e água tratada e gelada para o consumo. A água do banho é leitosa em razão do calcário e amarronzada por causa da presença da argila.

Os pesquisadores trabalham com gado nelore e tucura, cavalo pantaneiro, ovelha, mel, jacaré e fauna. Nem todos frequentam semanalmente a fazenda. Muitos desenvolvem o trabalho da sede da empresa, em Corumbá. Na quinta ou sexta-feira cedo, voltam para a cidade.

Na despedida, o coração só dói no peito daquele que vai embora, talvez, para nunca mais voltar. Para quem trabalha lá, as viagens costumam ser alegres e a semana recomeça na terça-feira. Com a bênção do sol ou da chuva pantaneira.

14 de outubro de 2010

[Pantanal Sul MS | Brasil] Época de floração do Tarumã do Pantanal




Dando continuidade às belas cores contratantes deixada pelo Ipê Amarelo (Tabebuia aurea) e Ipê Roxo (T. heptaphylla), que pontuaram a paisagem pantaneira nos meses de julho a setembro agora é tempo de florescimento do Tarumã (Vytex cymosa).

Arvore da Família Verbenaceae com cerca de 15 a 20 metros de altura, com suas flores de coloração nos tons de azul e roxo, sendo comum sua observação em matas primárias, fazendas e até mesmo em zonas urbanas, adotada como ornamental.


A relação dessa arvore com a fauna é de grande importância, pois é fonte de alimento na época de floração e frutificação. No caso dos insetos, podemos abordar os polinizadores como as abelhas (Meliponíneos) fartando-se do pólen, para a avifauna podemos destacar o Aracuã-do-pantanal (Ortalis canicollis) e Jacutinga (Pipile cumanensis) que são avistados com grande facilidade na fazenda, alimentando da flor do Tarumã.



Na época de frutificação também é possível observar estas aves se alimentando dos frutos e depois distribuírem as sementes pela mata através de suas fezes. Já as arvores próximas aos cursos de água, garante alimento ao Pacu (Piaractus mesopotamicus), consequentemente um ótimo dispersor. Para os mamíferos é fonte de alimento para o Lobinho (Cerdocyon thous) e porcos selvagens.


Com essa boa relação entre o Tarumã e os animais afiança uma estratégia para dispersão das sementes, garantindo uma boa oportunidade de apreciar as belezas dessa arvore estrategicamente modulada pela natureza.

Texto: Gabriel Fávero Massocato
Fotos: Carol Coelho

[Pantanal Sul MS | Brasil] Época de floração do Tarumã do Pantanal

23 de agosto de 2010

[Pantanal MS | Brasil] Agosto, mes dos Ipes floridos no Pantanal





PIÚVA PANTANEIRA - Tabebuia heptaphylla - Familia B

ignoniaceae

Floração – jun - set

Frutos – maduro na estação das chuvas

Utilização – madeira para ponte, curral, esteio, remo. Própria para construção pesada e externa. Flor comestível e forrageira. Ornamental.

Uso fito. – fervido da entrecasca contra câncer, o extrato é depurativo, estomacal e bactericida. Cerne contém lapachol, que inibe tumores e alivia a dor.

“Piúva-do-pantanal”, “Píúva-do-campo”, “Piúva-roxa”, “Ipê-roxo”;


Piúva = vem de ipê-uba, árvore cascuda ou casca amarela, ou árvore da casca;


· Madeira dura e resistente, usada para fazer tacos, dormentes, estruturas externas e peças para construção naval, remo pantaneiro;


· Árvore das mais altas do pantanal, usada para pouso e decolagem do tuiuiú e para fazer ninho;


· Fruto maduro na estação das chuvas;


· Flor comestível e forrageira, alimento de aves (Arancuã, Jacutinga, Papagaio) e Bugio;


· Uso medicinal: casca fervida contra câncer; extrato da entrecasca depurativo, estomacal e bactericida; cerne contém lapachol que inibe tumores e alivia a dor;


· Sensível a fogo quando jovem;


· Distribuição: Mata Atlântica (BA ao RS), Paraguai, Argentina e chaco úmido da Bolívia.